sábado, 23 de abril de 2011

FELIZ PASCOA





Neste dia de Páscoa, gostaria de desejar a você muita paz e harmonia.

Que você tenha um reencontro consigo mesmo

e que as portas que Ele já abriu conduzam realmente a um caminho de muita luz,

renovação e libertação.


“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá sua vida pelos que ama”(Jo 15, 13)

- disse Jesus.
E Ele assim fez.



domingo, 17 de abril de 2011

Contramão

Na época de ensino fundamental, eu tinha uma amiga, a Ritinha, que detestava as aulas de Educação Física. Principalmente porque, quando chegava a vez das líderes escolherem o time, esse minha amiga, a Ritinha, sempre sobrava. Junto com ela, no final, restavam as desajustadas: a Carla, aquela menina gordinha e sem muito talento pra corridas de 45 minutos, a Amandinha, aquela de 1.45 m que não sabia muito bem conduzir a bola, e duas ou três das quietinhas – que as líderes, por assim dizer, tratavam de colocar no gol, pra não atrapalhar os estrelismos em campo.

Pois então, a Ritinha, a "minha amiga", fazia verdadeiros malabarismos pra não participar da Educação Física. Ia de calça jeans pra não poder jogar, ou matava aula e ia pra biblioteca, nem que fosse pra folhear um Guiness enquanto a hora não passava. Ao contrário das outras, que contavam os minutos pra Educação Física, a Ritinha tinha pavor de quando o sinal tocava pra essa aula. Por sorte, ela era extrovertida a ponto de ter várias amiguinhas pra jogar ping-pong ou matar aula pra ver o Guiness empoeirado da biblioteca.
Ritinha andava na contramão e não sabia. Fofinha, baixinha e com uma coordenação motora um tanto quanto mínima para esportes, descobriu desde cedo que figurar entre o time das populares era coisa pra poucos, e que os requisitos para tal não eram exatamente o que ela procurava para sua vida. Sim, já aos onze, ela tinha planos para sua vida – mesmo que ser astronauta, cientista ou arqueóloga figurasse entre esses planos. Passou a observar a escola e escrever sobre isso. Anos depois, andou encontrando seu diário de colegial e me passou alguns trechos. Segue abaixo alguns deles:


“Querido diário,

Hoje, estava caminhando com minhas amigas no intervalo, quando a fulana X passou pela gente. Ela usava várias fitas no cabelo. Passou por mim e riu! Depois, minha amiga disse que, quando ela estava conversando com as outras, disse que eu sou CDF e puxa-saco da saco. Ora, quem ela pensa que é pra me chamar de puxa-saco? Mas também não tô nem aí. Sou CDF com orgulho. Só não sou puxa-saco, mas sei que ela diz isso só pra me provocar.”

“Querido diário,

Fui convidada pra viajar pra uma feira de experiências em outra cidade, com minha professora de Ciências. Ainda não falei com mamãe, mas estou feliz por isso! Espero que ela me deixe ir. Vou poder apresentar também dois trabalhos na Feira, se eu for.”



“Querido diário,

Como eu odeio a Educação Física! Hoje, sobrei de novo. Não sei porque insisto em participar do futsal, se sou péssima... por sorte, a Jô e a Mi não queriam jogar, então a gente saiu do jogo e foi na biblioteca pegar livros da coleção Primeiro Amor pra ler.”
Ritinha cresceu, descobriu outros gostos, aprendeu a ouvir música e mudou de gêneros literários.  O cabelo cresceu, o corpo se desenvolveu. Não foi exatamente uma transformação de patinho feio em cisne, mas um crescimento.
Foi engraçado como, de uma hora pra outra, o esporte simplesmente passou a ter menos importância. Olhando pra trás, ela vê que foi até bom ser a que sobrava nos esportes coletivos: assim nasceu sua paixão pelos livros, naquelas tardes quentes na biblioteca. Pra que ela usaria um talento pra futebol hoje em dia?

Ritinha entrou na faculdade, namorou, fez muitos amigos. Encontrou, tempos atrás, a fulana X, que não mudou muita coisa, mas ficou mais feia e mais flácida. E ela não está estudando porque, aos 19 anos, estava com dois filhos. Nem praticar esportes pratica mais. Algumas das populares se deram bem, obviamente (Ritinha sabe que a vida não é novela, e que depois dos doze anos as pessoas mudam muito). Mas Ritinha adorou quando, aquela que gostava de colocar papel cheio de cola na sua cadeira, disse que ela estava linda e que daria tudo pra voltar no tempo e ter sido estudiosa também.
Então, o que Ritinha aprendeu, dá pra ser resumido numa frase: ir na contramão pode ser bom a longo prazo. Ela aposta que, das populares que zombavam das outras por não se darem bem com esportes, nenhuma está usando seu talento com bolas de futebol hoje. Ritinha, ao contrário, usa todo seu acervo literário mental no dia-a-dia.

E, não espalha não, mas Ritinha também se chama da luz.