quinta-feira, 3 de março de 2011

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E TODOS VIVERAM CONECTADOS PARA SEMPRE!!


Estes dias eu estava observando como certas expressões, ficaram meio fora de contexto quando usadas. Exemplo: não suma ou dê notícias...Se você é um adepto das redes sociais, como eu, sabe que sumir da vida de alguém, a menos que a pessoa queira que você suma da dela ou vice versa, é algo quase impossível. Você chega no seu orkut, ou o facebook e vê todo mundo lá o tempo todo e mais, dando notícias sem parar, notícias das quais se é automaticamente atualizado na própria página, sem precisar nem se dar ao trabalho de procurar saber sobre . Dos mais comedidos, a gente só recebe as notícias importantes do tipo: me formei, mudei de empresa, casei, tive filhos e etc...Outros, mais empolgados, digitam seus cardápios diários, onde vão ao longo de um dia e o que compram por aí. Ou seja, ser alguém "sumido" e que nunca mais mandou notícias está cada dia mais difícil rs. Antes da explosão das redes, existiam muitas daquelas pessoas das quais a gente se "perdia" ao longo do tempo e reencontrava anos depois,sem querer, e então vinha a frase: Tá sumida, hein? Dê notícias! Pessoas que eram afastadas pelo destino, pelo movimento das marés, porque vocês estudaram ou trabalharam juntos e até tinham uma relação legal, mas poucas afinidades para manter o contato, uma vez que suas atividades em comum não existissem mais. E agora, a gente encontra alguém que não vê há anos e vai contar uma coisa e a pessoa diz: É, eu vi no seu Facebook! E aí você lembra, é mesmo eu contei isso no face, achei que só meus amigos próximos iam prestar atenção! Atire a primeira pedra, quem nunca passou por algo assim.

No fundo, não sei se isso é bom ou ruim, mas eu sempre olho com desconfiança para para estas coisas que "impõe" uma nova forma de relacionar-se socialmente, quase que inconsciente, por pensar nos seus efeitos a longo prazo. Porque na internet a coisa funciona mais ou menos assim: uma mentira contada é uma mentira que se tem que carregar para sempre, uma verdade dita pode se alastrar até onde não era necessário se saber, um elogio feito é testemunhado por milhões, um desaforo pontual, expressado num momento de cólera, ganha um carimbo eterno, é registrado por inúmeros, salvo, impresso, se eterniza..uma promessa declarada, torna-se uma dívida. Quando fazemos algo na internet é mais difícil voltar atrás, de ser perdoado, de desmentir...não adianta apagar o perfil e fazer um novo, não é simples assim, apaga-se um perfil e uma nova vida começará! Me lembro de uma moça que após se casar vivia escrevendo toda hora que era muito feliz, que amava muito, que eram apaixonados, várias fotos românticas, aquele exagero que a gente conhece, mas uns dois, três anos depois, ela apagou o perfil em uma rede, eu pensei logo: "separou", mas pensei separou, no sentido de: "deve estar se dando um tempo, triste pela separação, evitando tanta exposição num momento delicado...", mas meses depois a mesma criou um novo perfil, se dizendo noiva de outro, grávida deste e também morrendo de amores rsrsrs Então me perguntei, será que é isso mesmo? Era isso mesmo: "perfil apagado, pedaço da vida apagado".
Até parece que é simples assim, né gente? Na cabeça de todo mundo que acompanhava sua história melosa e dramática com o ex-marido, vai permanecer o olhar de desconfiança quando a vê fazer o mesmo com o noivo atual. Por trás das telas iluminadas, existem os mesmos seres humanos julgadores que a gente conhece na vida real e sinceramente, eu não sei se isso já entrou na cabeça de muita gente, que acha que o que se diz on line sai impune, que não são usadas as mesmas regras e normas do mundo real ou que ninguém está "olhando" você fazer! Sabe aquela pessoa que você nem lembra mais que está viva, aquela que você adicionou por adicionar, aquela que entraria para o time das "sumidas", caso não existisse orkut ou facebook? Que quase nem usa essas ferramentas, tem a mesma foto há anos, não escreve nada, nunca atualiza? Pois é, ela olha o seu perfil, ela vê suas atualizações, suas declarações, suas interações com outros da rede. Ela vê mesmo que não queira ver, que não esteja "procurando saber da sua vida" e sabe de outra coisa? Tem muito mais gente querendo saber da sua vida do que você imagina, se com boas ou más intenções, isso eu já não posso afirmar, mas que você está "mandando notícias" para eles o tempo todo, isso está!

TEXTO EXTRAIDO DA NET

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

BEM MAIS...

É certo que não sei traduzir lembranças, encurtar distâncias e seguir com novos passos. Mas sei rir, morar dentro de um abraço e tocar de leve o seu rosto até sentir o bater das asas de todas as borboletas que voam no seu estômago.
E por isso sim, já sou e lhe espero mais feliz.
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Há dias que ando resumida, que as vírgulas perderam a pausa certa e o teu ponto não me finaliza. Há dias que eu me reticencio nesse teu silêncio que me deixa tão desnuda. Minha alegria fica um pouco menos feliz e nesses dias, qualquer coisa sua me basta (um vulto ou um olhar que salve). E acho tão bonito esse meu jeito de querer tanto, quieta e pequena. Nessas vidas e vindas (eu sei), nada importa se ainda tenho um amor reinventado, se ainda posso fazer a tua esquina cruzar com a minha. Não importa. Mas é que hoje, me peguei querendo um pouco mais, com aqueles olhos de última vez e com um aperto no peito. E eu não quero desatar o nó agora,
só porque ainda tem tanto riso solto no mundo e tanto choro preso dentro de mim querendo ficar junto.
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Eu gosto de pessoas inteligentes que enxergam o mundo com humor.

Tem muitas pessoas em quem eu bato o olho e penso: deve ser legal ser amiga dele. É gente que não carrega o mundo nas costas, que fala olhando nos olhos, que não se leva tão a sério, que é franca na hora do sim e na hora do não. É difícil sacar as qualidades de uma pessoa sem antes conhecê-la, mas intuição existe pra isso.
Tenho vários amigos que enriquecem minha vida e se encaixam no meu conceito de “pessoas especiais”, mas meu coração é espaçoso e está em condições de receber novos inquilinos.


*** Martha Medeiros ***


O laço e o abraço...



Meu Deus! Como é engraçado!
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o
laço. É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de
braço. É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido,
em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando...
devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora,
deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço
afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum
pedaço.
Então o amor e a amizade são isso...
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!

______ Mário Quintana _____


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

''O mundo pode continuar feio

que eu vou continuar sentindo coisas bonitas.''
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''E que você suporte os meus defeitos e se sinta orgulhoso das minhas qualidades, e apesar de não ter uma beleza extrema, poder fazer com que você enxergue que gostar de alguém vai muito além de beleza fisica, e tentar também de algum jeito (infelizmente só tentar) fazer com que você não precise olhar em outras direções, porque seus olhos vão estar dentro dos meus.Eu quero sempre encontrar você, sejá lá aonde você estiver...''
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“Sigo a vida conforme o roteiro, sou quase normal por fora, pra ninguém desconfiar. Mas por dentro eu deliro e questiono. Não quero uma vida pequena, um amor pequeno, uma alegria que caiba dentro da bolsa. Eu quero mais que isso. Quero o que não vejo. Quero o que não entendo. Quero muito e quero sem fim. Não cresci pra viver mais ou menos, nasci com dois pares de asas, vou aonde eu me levar. Por isso, não me venha com superfícies, nada raso me satisfaz. Eu quero é o mergulho. Entrar de roupa e tudo no infinito que é a vida. E rezar – se ainda acreditar – pra sair ainda bem melhor do outro lado de lá.”
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'A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,



Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.


Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...


Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!'


Mario Quintana - A verdadeira cor do invisível
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"Meu maior medo é viver sozinho e não ter fé para receber um mundo diferente e não ter paz para se despedir. Meu maior medo é almoçar sozinho, jantar sozinho e me esforçar em me manter ocupado para não provocar compaixão dos garçons. Meu maior medo é ajudar as pessoas porque não sei me ajudar. Meu maior medo é desperdiçar espaço em uma cama de casal, sem acordar durante a chuva mais revolta, sem adormecer diante da chuva mais branda. Meu maior medo é a necessidade de ligar a tevê enquanto tomo banho. Meu maior medo é conversar com o rádio em engarrafamento. Meu maior medo é enfrentar um final de semana sozinho depois de ouvir os programas de meus colegas de trabalho. Meu maior medo é a segunda-feira e me calar para não parecer estranho e anti-social. Meu maior medo é escavar a noite para encontrar um par e voltar mais solteiro do que antes. Meu maior medo é não conseguir acabar uma cerveja sozinho. Meu maior medo é a indecisão ao escolher um presente para mim. Meu maior medo é a expectativa de dar certo na família, que não me deixa ao menos dar errado. Meu maior medo é escutar uma música, entender a letra e faltar uma companhia para concordar comigo. Meu maior medo é que a metade do rosto que apanho com a mão seja convencida a partir com a metade do rosto que não alcanço. Meu maior medo é escrever para não pensar."
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''Continuo a mesma. Continuo no mesmo endereço de um ano atrás. Continuo com a mesma árvore de folhas sempre verdes na calçada. Continuo com a mesma janela que dorme aberta e os mesmos incensosnecessários. Continuo com o mesmo nome, o mesmo sobrenome, RG, CPF, só transferi o título. Continuo com o mesmo celular. Continuo com o mesmo jeito direto que assusta algumas pessoas. Continuo a mesma boba que sorri de nada. Que faz bico quando chora. Continuo com o mesmo jeito tímido. Continuo com a mesma cautela. Continuo com um exagero abusado e um drama para achar graça. Continuo falando bobagens. Continuo acreditando nos amores. Continuo quebrando a cara. Continuo brincando de ser feliz. Continuo eternizando letras. Continuo a ver São Jorge na lua cheia. Continuo com minhas insônias. Continuo com minhas defesas, medos, desesperos. Continuo vivendo muito para dentro. Continuo sem paciência para o social. Continuo com umas ondas de velhinha. Vez ou outra dou uma de João Gilberto. Continuo crítica, principalmente comigo mesma. Continuo azeda, mas muito doce quando doce. Continuo do contra e adoro discordar para pirraçar. Continuo tomando dramin para viajar e viro a pessoa mais imbecil do mundo sob o efeito dessa droga. Continuo a fazer aquela vozinha cuticuti quando converso com bebês. Continuo séria. Continuo sorriso. Continuo a tomar o microfone só para mim quando tem um videokê por perto. Continuo com o joelho esquerdo me perturbando. Continuo a fazer telefonemas de carinho ali no quintal, olhando para o céu. Continuo viciada em pão de queijo e a achar Friends o melhor seriado. Continuo a reclamar do calor. E se faz frio, reclamo do frio. Continuo a preferir o inverno. Continuo fã de sorvetes. Continuo a soprar cílios. Continuo a me apaixonar todos os dias. Continuo a sofrer para pisar no chão e deixar a fantasia de lado. Continuo com umas coragens insanas. Continuo sendo várias, depende de quem me chama. Continuo a soletrar meu nome em todo canto. Continuo a saber que é meu nome que será chamado quando aparece uma trava na boca das pessoas que leem o papel. Continuo louca por abraços. Continuo a fingir que não tenho medo de avião. Continuo a fazer poesia dentro do ônibus. Continuo a me preocupar com as revoltas naturais do mundo. E continuo não gostando de animais. Continuo travada nos euteamos. Continuo com o mesmo perfume. Continuo a trocar baladas por cinema. Continuo a ter nojinho de piscina.Continuo a cobrir meu corpo inteiro quando durmo à noite após um filme de terror. Continuo a achar mesmo que o cobertor me protege, nessas situações. Continuo obviamente besta. E chata. Continuo observadora demais. Continuo calada quando muita gente fala ao mesmo tempo. Continuo a criar histórias para pessoas desconhecidas enquanto sento num banco qualquer pelas praças. Continuo essencialmente MPB e bossa. Continuo sempre com um trident na bolsa. Continuo a demorar para responder e-mails. Continuo a escrever cartas. Continuo a achar estranho unhas dos pés pintadas de vermelho. Continuo a escovar os dentes com a mão esquerda na cintura. Continuo com a letra pequenininha. Continuo a procurar erros de português em todos os cantos. Continuo a me sentir nua sem brincos. Continuo sarcástica. Continuo ótima ouvinte. Continuo sensível demais. Continuo insensível demais. Continuo a dizer que De onde vem a Calma é a fotografia do meu lado de dentro. Continuo achando quarta-feira o melhor dia da semana. Continuo acumulando leituras indicadas. Continuo a achar que chuva forte é aplauso. Continuo com inveja das pessoas que gostam de café e amendoim. Continuo a me encantar com ternurinhas. Continuo a ter gastura de pessoas cantando inglês errado. Continuo a ter medo de panela de pressão. Continuo sem cachos. Continuo a não usar batom. Continuo preferindo a calça jeans. Continuo a ver duplo sentido em quase tudo. Continuo a achar melancia uma fruta alegre, porque cada talhada é um sorriso. Continuo achando que preciso usar óculos. Continuo com preconceito musical. Continuo com preguiça de gente. Continuo a sorrir quando vejo uma câmera fotográfica. Continuo a não saber dar parabéns além do básico: parabéns! Continuo a sentar na grama. Continuo a me tranquilizar quando a chuva cai lá fora. Continuo na minha sozinhez. Continuo a brigar com minha escolha profissional. Continuo a pedi-la em casamento todos os dias. Continuo a achar que catchup, purê de batatas e diamante negro são invenções dignas. Continuo a ficar com a cara amarela quando chupo manga. Continuo a tchutchar o pão no prato de sopa. Continuo a achar que pra caralho é uma expressão que intensifica as coisas pra caralho. Continuo pagã. Continuo a ter que me cobrir da cintura até os joelhos, mesmo que o calor seja imenso, ou então não durmo. Continuo a não ser mulherzinha. Continuo a não ter amigas mulherzinhas. Continuo com as pernas inquietas que dançamcrises de enxaqueca durante implosões. Continuo a tirar o esmalte com os dentes deixando o chão cheio de pontinhos vermelhos, quando ansiosa. Continuo solta. Continuo amante de praias. Continuo a usar close-up verde. Continuo a ficar tonta na rede. Continuo monstra quando acordo e mais ainda quando sinto dor. Continuo achando a acústica do banheiro algo sensacional. Continuo a contar meus mais amigos nos dedos da mão direita. Continuo com doses de melancolia. Continuo a voar para dentro das pessoas quando vejo pedacinhos meus por lá. Continuo a ver um lado escondido quando o espelho me enfrenta. Continuo a chorar de repente, do avesso, florindo. E depois, planto sorrisos. Continuo a me gastar de maneiras lindas. E a contabilizar meus pedaços assim, todo dia '12 de FEVEREIRO'. Que eu escolhi para meu. Que me recebeu, com suas águas. Toda essa promessa de vida. E vários corações.

Continuo amor.''

Texto lindíssimo da Jaya.



Onde retirei algumas preferências dela e mudei a data de nascimento.













terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Essa Tristeza sem Motivos

''Dia desses, eu estava sentada no sofá de casa, lendo, quieta, desprevenida, quando percebi que ela foi chegando, se aproximando devagarzinho, até que se acomodou, me abraçou e ficou. Não sei se você tem isso, talvez todos nós tenhamos, uns mais, uns menos – essa companhia inesperada de uma tristeza que vem sem avisar, sem querer saber dos planos para aquele dia.



Eu me lembro de quando era criança e vinha essa tristeza, essa visita sempre muito repentina, muito exterior a mim. Eu estava brincando, feliz – até hoje, sou dessas que costumam estar felizes –, e chegava essa penetra, essa intrometida, que vinha sem avisar e também não avisava quando ia embora. E ela ficava, e meu ânimo, minha vontade, esses iam embora, e o jeito era aceitar.


Tristeza sem motivo. Aceito sem reclamar. Quando adolescente, eu tentava fugir, correr – depois voltei a aceitar, como na infância. Se a tristeza sem motivo me abraça, eu a abraço de volta, que nosso encontro é menos dolorido.


A tristeza sem motivo é interessante. É bem diferente da tristeza com motivo. Minhas tristezas com motivo, eu sempre tento curá-las com raciocínio. Pode ser vício, cálculo, pretensão. Mas eu tento e, muitas vezes, funciona. Se estou triste porque algo não deu certo, me convenço com argumentos de que foi melhor assim. Se, definitivamente, não foi melhor assim, faço um esforço para relativizar a questão. Humilho minha questão pessoal, colocando na frente dela os problemas do mundo. Envergonho minha questão temporal, esfregando na cara dela o tempo. Ou simplesmente rio da minha questão séria, fazendo pouco dela. Forço, o tempo todo, um duelo entre minha razão e meus sentimentos. Às vezes, leva tempo, mas a razão ganha. Sempre ganha. E lá estou eu, feliz de novo, felicidade nem sempre espontânea, alegria muitas vezes conquistada à força.


Mas com a tristeza sem motivo, esse método não funciona.


Não há espaço para duelos. Não há argumento que intimide uma tristeza tão pura, tão desconectada de raciocínios. Ela é tão distante de qualquer pensamento que não o entenderia, ela não se encaixa em pensamentos, ela não ri deles, ela nem os vê. Se tento argumentar, ela não me responde de volta. Se insisto, ela me abraça mais forte, me aperta, tenta me machucar. Melhor não competir. Melhor, nessas horas, deixar a hora para ela. Porque qualquer palavra é inútil, qualquer racionalização é cansativa e boba, e o tempo, afinal de contas, vai passar, e ela vai acabar indo embora, sem dizer a que veio, sem explicar se foi motivada por nada ou por todas as coisas juntas.


O bom é que, notei recentemente, a tristeza sem motivo gosta de chá quente.


Não sei a sua. A minha gosta.


Ela ignora qualquer argumento, ela não se deixa distrair facilmente por livros e filmes, ela não entende o mundo, mas se acalma com uma boa xícara de chá quente. Não cappuccino ou café: chá quente. Sopa, também. Já reparei. Ela se estressa com palavras, mas se acalma com sopa. E com abraços. Ela se sente incomodada com o mundo, mas talvez seja mais com o mundo adulto, porque aceita um gibi. Ela gosta de sol, de ar fresco. De ficar próxima à natureza – perto do mar, de um rio, uma montanha. Ela gosta, se acalma, agradece e vai embora.


Não me pergunte por quê.


Mas, como dizia Clarice Lispector, não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento… Se você costuma receber uma tristeza que não quer ser entendida, não sei. Mas eu costumo e, quando ela aparece, ofereço-lhe uma boa xícara de chá.''